Não é uma dieta maluca, mãe!

A maioria de vocês não devem saber, mas eu moro apenas com minha esposa a 650km da cidade onde reside a grande maioria da minha família. A alguns dias, conversando com a minha mãe ao telefone, ela me perguntou se ainda estou fazendo “aquela dieta maluca”. Assim começou nossa discussão.

Leia também: Dicas importantes sobre dieta

Eu estava acima do peso a aproximadamente 4 anos quando decidi, em agosto de 2011, começar a treinar em academia. Na avaliação física meu quadro foi definido como pré-obesidade. Tenho 1,70m e pesava 84kg. Neste momento fiz o básico na dieta. Crotei doces, refrigetante e diminuí a quantidade de comida nas refeições.

Dois meses depois, já com um segundo treino de musculação, decidi pesquisar sobre suplementação. A primeira dica que eu vi foi que o mais importante é ter uma dieta balanceada. Foi assim que eu cheguei ao Hipertrofia.org, especificamente a um tópico no fórum deles com um passo-a-passo para montar sua dieta. Neste dia comecei uma pesquisa sobre os nutrientes de cada alimento que consumia para definir minha nova dieta e ter certeza de quanto precisaria de suplementação. Foi então que comecei a comer um sanduba light (pão-de-forma com patê de cenoura feito com maionese sem gordura, queijo branco light e peito de peru) de café-da-manhã e a tomar um shake de Whey Protein com maltodextrina logo após o treino de musculação.

Em setembro eu comecei a notar que eu conseguiria reduzir ainda mais minha dieta, para emagrecer mais. Diminuí consideravelmente meu consumo de carboidrato, comparando a quantidade da carbo em cada produto. Esta redução refletiu em redução da quantidade de proteína, então comecei a tomar um shake de proteína no período da tarde. 

Nesta mesma época eu fui a Londrina visitar minha família. Como a recuperação muscular leva de 48 a 72 horas, levei dois shakes de proteína para tomar no sábado e no domingo, pois não sabia se teria a quantidade necessária de proteína nas refeições. Meu pai faz uma lasagna sensacional que eu costumo pedir quando vou a Londrina. Lasagna não é uma boa fonte de proteína. E foi isto mesmo que aconteceu. Meu pai me recepcionou com uma lasagna no almoço de sábado. De tarde decidi tomar um shake de proteína. Minha mãe já estava meio cabreira de eu ter comido apenas meu sanduba light no café-da-manhã, mas ficou quieta. Ao me ver misturando uns pós com água gelada e preparando o chake ela começou a ficar preocupada.

Mãe sempre fica preocupada. Minhas duas irmãs estavam em casa e me defenderam. A mais velha é biomédica e a caçula é farmacêutica. Elas até me questinaram sobre minha dieta antes de me defender. Elas até me sugeriram mais alguns suplementos. A mais velha sugeriu tomar BCAA e a mais nova sugeriu tomar um termogênico. Foi neste momento que minha mãe desistiu da conversa. Até a alguns dias.

Nos projetos-verão que antecedem o verão de cada ano, a galera corre pra academia tentando emagrecer e ficar sarado. Pessoas, isso não existe. Qualquer perda de peso sem mudança definitiva não é perda definitiva. E é nesta época que começam a aparecer os retardados que encarecem os suplementos de quem faz a coisa do jeito certo. O idiota começa a tomar termogênico porque emagrece, proteína pra ficar forte, creatina pra crescer os músculos, albumina pra mostrar que é macho e toma aquela merda sabor xorume que faz peidar o dia todo, além de outras paradas mais pesadas. Depois de alguns meses maltratando o corpo essas pessoas começam a passar mal. Pipocam notícias de pessoas morrendo por “culpa” dos suplementos. Deveria ser permitido, formalmente, no laudo do IML, atribuir a morte à estupidez.

Apesar de todo o cuidado que eu tive e venho tendo quando se trata a suplementação e dieta, minha mãe simplesmente não confia que eu tomei os cuidados necessários. Mesmo eu derrubando todos os argumentos dela ela continua achando que estou fazendo merda, que estou forçando demais o meu corpo. Ela inclusive se contradiz ao questionar a quantidade de atividade física que faço por eu ter coração de atleta (aos 17 anos precisei fazer uma cirurgia e o cardiologista disse que eu tenho coração de atleta, bate menos mas com mais força, o que é excelente para atividades físicas). O que seria justamente uma preocupação a menos ela se preocupa mais.

Pouco antes convencer minha mãe a, novamente, abandonar a causa, consegui extrair dela o principal motivo da preocupação. Uma professora que trabalha na escola onde ela é diretora faltou para ir ao enterro de uma amiga. Esta amiga tinha 23 anos e estava a duas semanas de se casar. Sua morte foi atribuída à suplementação e treinos que ela fazia. Mas a infeliz estava tomando emagrecedores, treinando feito uma condenada e passando pela correria de preparar um casamento. Me desculpe, mas a causa desta morte foi estupidez.

Comentários