Depoimento da Semana: Raquel Pacheco, a peoa que já foi gordinha

Quem tem acompanhado nosso Twitter, tem visto as tweetadas sobre o depoimento da Raquel aqui no blog. E quem viu a abertura de A Fazenda 4, viu que essa linda está entre os participantes do reality.
Eu sou muito suspeita para falar sobre a Raquel, já que somos amigas há algum tempo e tudo começou graças a uma piadinha minha pra ela, no Twitter.


Aliás, vocês vão pensar que é tudo um jogo de marketing! Mas essa tranqueira da Raquel me enrolou e me mandou o e-mail no domingo pouco antes de ficar sozinha em um hotel.


Vamos ao Depoimento da Semana:


“Já nasci com o peso acima do que é considerado normal e, ainda na infância, sofri o que hoje tem um nome: bullying. Embora as crianças tenham um q de inocência, conseguem ser muito ruins com as que são gordas. E assim, passei esta fase da vida, ouvindo apelidos criativos, mas nada delicados. Convivi com crianças magras que me tratavam como se eu tivesse alguma doença, algum problema grave e me isolavam. Minhas amigas eram outras crianças acima do peso.

Eu sofria calada e acabava descontando na comida! E quanto mais comia, mais engordava e continuava sofrendo bullying. Era uma bola de neve sem fim. Demorei muito tempo para entender que há um padrão imposto pela nossa sociedade e que quem foge do que é considerado normal, acaba sendo rejeitado em algum momento ou em vários. Demorei mais tempo ainda para entender que a maioria das pessoas não aceita e respeita como as outras são. A única coisa que não conseguia entender era porque eu não podia ser uma criança gorda e feliz.

Foi apenas com 10 anos que me dei conta que precisava emagrecer para ser aceita. Certa noite, nesta época, minha mãe foi me buscar na casa de uma amiga onde tinha passado o dia inteiro, não me lembro qual comentário ouvi, apenas sei que ao chegar em casa, disse à ela que queria conversar. Assim que entramos no quarto, como quem quer contar um segredo para a mãe, revelei que queria emagrecer e que precisava de ajuda.

Na mesma semana, ela me inscreveu no ´Vigilantes do Peso´ da cidade, onde uma tia já frequentava e comecei a frequentar. Perdi 3 quilos em menos de duas semanas, mas minha participação no grupo não durou dois meses. Além de ser a única criança da turma, estava ficando infeliz ao viver minha primeira dieta.

Engordei tudo novamente e mais um pouco. Algum tempo depois, vim morar em São Paulo e minha luta contra a balança recomeçou. Tentei seguir alguma dieta várias vezes, mas sempre acabava sabotando. Não conseguia ficar muito tempo sem poder comer o quanto e quando queria. Comer é um imenso prazer. Simples assim.

Mas, nunca consegui fazer dietas malucas como a do líquido, também nunca conseguir passar sequer um dia sem comer.
Até que com 15 anos, pesando quase 70 kgs, fui em um endocrinologista que, junto com o trabalho de uma nutricionista, me indicou a dieta dos pontos. Foi com apenas esta dieta que consegui eliminar vários quilos, mais de 10kg… Feliz com o resultado, comecei a ficar preocupada porque tudo o que não queria era engordar novamente, então acabei desenvolvendo um distúrbio alimentar, a bulimia. Fui bulímica por mais de um ano, sendo que ainda tive algumas crises mesmo depois de ter me “curado”.

Entre indas e vindas, minha luta contra a balança continuou e recomeçou várias vezes, talvez seja uma eterna luta. Tenho tendência a engordar e precisei aprender a aceitar isto.
Cheguei a usar o manequim 44, já fui comprar calça jeans e saí arrasada da loja. Aos poucos fui aprendendo a gostar do meu corpo e a me aceitar do jeito que sou. Da mesma maneira que nunca apelei para dietas malucas, nunca fiz lipoaspiração porque tenho medo de algo sair errado, pois não deixa de ser um procedimento um tanto quanto agressivo. Também nunca tomei remédios por medo de viciar e me tornar escrava deles.

Faz tempo que não faço alguma dieta. Como chocolate todos os dias sem sentir culpa. Com o tempo, a comida deixou de ser minha válvula de escape e tornou-se apenas um prazer. Continuo não seguindo o padrão de beleza e assumo que tenho gorduras BEM localizadas, estrias e celulites. Mas, depois que me aceitei, estes pontos se tornaram meros detalhes.
Neste ano, por conta da extrema ansiedade com o filme e outras grandes e boas emoções, além da correria do dia-a-dia, emagreci alguns quilos sem perceber. Quando me dei conta, todos os meus jeans estavam largos. Meu manequim atual é 36, doei os do 38, mas guardei 4 peças que não consegui me desapegar, pois por gostar muito delas, acredito que um dia ainda voltarei a usá-las.

Depois de um tempo a gente aprende que não importa se os outros não aceitam como somos. Temos o direito de sermos como bem quisermos. E uma banha não pode significar menos felicidade.


~Esse post foi confeccionado com bolinhos de chuva pela Raquel Pacheco. A Bruna Surfistinha que escreve no Não, não para…

Comentários